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BLOG FATOR V

EXPERIÊNCIAS SUSTENTÁVEIS E DE BEM-VIVER

Sobre questionar o "inquestionável"

Essa foi a sensação que tive durante uma palestra que fui convidada a realizar na Superintendência Estadual de Meio Ambiente do Estado do Ceará - SEMACE, quando questionei não apenas a eficácia do sistema de licenciamento (considerando a relevância na melhoria da qualidade ambiental) como também o modelo de desenvolvimento (inclusive o sustentável) tal qual ele é empreendido na prática.


O convite foi claro: queremos que você fale como AMBIENTALISTA!


Foi exatamente o que eu fiz e minha fala foi recebida com muito carinho e respeito pelos gestores da SEMACE.


Por outro lado, mesmo falando algo que para mim se apresenta de maneira absolutamente óbvia, percebi em alguns membros da plateia um certo estranhamento ou até mesmo incômodo com minha fala.


Era como se fosse a coisa mais absurda do mundo questionar o modelo de desenvolvimento onde todos são encorajados a trabalhar-consumir-descartar em looping infinito.


Diante dessa consideração, parte da plateia me olhava atônita enquanto outra parte me olhava com brilho nos olhos.


Para a parcela atônita, parecia que era impossível questionar a padronização dos modos de vida e que não se podia pensar em uma vida sem desenvolvimento nos moldes aceitos e replicados pela maioria na sociedade, onde "ter sucesso", "chegar lá", "ser bem sucedido" e até mesmo "ser feliz" está relacionado a TER... CONSUMIR... POSSUIR COISAS.


Ainda mais preocupante foi perceber a apropriação do discurso do Desenvolvimento Sustentável para justificar o desenvolvimento econômico, como se DE FATO o ambientalmente equilibrado e o socialmente justo tivessem o mesmo peso e a mesma medida do economicamente viável neste país.


Eu sinceramente não sei o que ficou de reflexão para eles... mas para mim, ficou ainda mais claro que temos um árduo trabalho disruptivo pela frente se quisermos mudar essa mentalidade historicamente constituída e engessada.


Precisamos encontrar meios, caminhos, métodos e linguagens capazes de tirar as pessoas do piloto-automático e, por hora, suponho ser urgente iniciar um amplo processo de ecoalfabetização de jovens, adultos e crianças!


Então, mãos à obra!



Magda Helena Maya


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